Feira Central, segredos e sabores

May 11, 2020

Feira Central Cozinha Japonesa Foto de Luna Garcia
Espetinho na Feira Central – Foto de Luna Garcia

pelo Chef Paulo Machado em referência à Cozinha Japonesa

Tradicional da capital Morena (apelido carinhoso da cidade de Campo Grande – Capital de Mato Grosso do Sul, por sua terra vermelha) a velha feira central completa em 2020: 95 anos. A feirona como é também chamada, é coordenada pela comunidade japonesa de Okinawa e se consolidou durante anos na R. Padre João Crippa. O local trás boas lembranças de um tempo que ficou na memória. E é um dos locais preferidos do nosso público no FoodSafari Pantanal.

Motivos pra Feirona ter se mudado de endereço tinham de sobra: falta de espaço, alguns reclamavam da limpeza local e também existia interesse imobiliário na região, mas o fato é que o novo local, na esplanada ferroviária, ganhou mais espaço e higiene. É bem verdade que acabou perdendo aquele ar de feira do Sudeste asiático que dava cara de exclusividade a nossa feira noturna de rua.

Passado todo este tempo a feira municipal está lá, e desde 2017 conta c/ o importante título de patrimônico cultural e imaterial de Campo Grande. Firme e forte, e mesmo em época de pandemia vem se reinventando. Do uso do álcool gel em cada mesa até as máscaras e luvas para os garçons.

Além de comprar hortifruti o motivo principal pra ir a Feirona é comer o sobá. Mas a feira não existiria também sem o espetinho de filé. Embora nem todas as vezes o corte seja o filé mignon, a iguaria sempre tem uma carne suculenta. Permeada de carne gorda, que chamamos de granito, essa peça é ponta do peito do zebuíno, farta em gordura. O espetinho sempre vem acompanhado de mandioca cozida, servida com shoyu. Quando recebemos fumegante, juntamos a ela uma generosa porção de shoyu. Em determinadas épocas do ano, especialmente quando chove muito, a mandioca torna-se “aguada”, como se diz na região. Já em tempos de estiagem, a mandioca, por ser nova, cozinha rápido e fica muito macia. Na feirona, encontramos duas variedades dela: a ouro, bem amarelinha, e a branca, mais clara. Cada uma, em seu tempo, é muito macia e apreciada.

Em geral, os japoneses que moram em Campo Grande preparam um tempero para comer com a carne, que varia desde uma pasta de alho artesanal (ou industrializada) até o uso do miso, uma pasta de soja fermentada.

Que delícia é o espetinho da Feira Central, sabor e tradição que é a cara de Campo Grande. Venha conhecer de perto num dos nossos FoodSafaris para Mato Grosso do Sul.

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1 Comentário

  • […] Sua origem bem provável ser das broas paulista, trazidas na colonização do Estado de Mato Grosso. A degustação e preparo deste biscoito distribui-se na baixada cuiabana e no Pantanal Mato grossense. […]